Quércia, quem diria, agora defende Serra

Na política assim como em tudo na vida é preciso tolerância, diplomacia e alianças. Não vivemos sozinhos e buscamos aquilo que acreditamos estar de acordo com nossos interesses dentro de um contexto. Quércia e Serra lutaram juntos em diversos momentos históricos do Brasil, como no episódio das Diretas, e fizeram um a parceria produtiva pelo país.

O fato dos interesses políticos deles terem divergido na época do rompimento que houve dentro do próprio MDB, resultando na fundação do PSDB, não significa que os candidatos citados sejam inimigos, mas que naquela época, a aliança não era produtiva.

Sinceramente não consigo entender esta crítica. Ela é totalmente infundada. Quantos outros políticos lutaram de lados opostos em determinado momento e depois anunciaram parceria e fizeram dobradinhas admiráveis no governo?

A aliança feita pelos candidatos da coligação Unidos por São Paulo é baseada no respeito entre eles e na vontade de mudar o país. Quércia nunca foi do tipo de político que prefere prejudicar o povo em nome de alianças interesseiras. Se ele aceitou a parceria, é porque acredita que a aliança promete benefícios para a população.

Acho que as pessoas deveriam perder tempo criticando ações que prejudicam o povo e não iniciativas tão bacanas como esta que só mostram a maturidade política e a seriedade de todos que fazem parte da coligação.

O ruim é quando um político vira a casaca e adota uma postura totalmente incoerente com tudo o que fez até hoje só para ganhar as eleições e não é esse o caso!

Nos tempos do velho MDB, o único partido consentido de oposição no período da ditadura militar, depois rebatizado de PMDB, nos anos 80 do século passado, havia uma guerra entre Orestes Quércia e os seus demais líderes em São Paulo, a chamada “ala ética”.
Com exceção de Ulysses Guimarães, que permaneceu fiel ao partido até o fim, foi por causa dos métodos pouco ortodoxos, digamos assim, de Quércia fazer política, que deixaram o partido Franco Montoro, Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas e José Serra, entre muitos outros, e fundaram o PSDB.
Pode-se afirmar, assim, que o partido dos tucanos nasceu em São Paulo por causa de Orestes Quércia _ e contra ele e o que representava. Vereador e prefeito de Campinas, no interior paulista, surpreendeu o país ao se eleger senador, derrotando o ex-governador Carvalho Pinto, que era considerado imbatível, na memorável vitória parlamentar do MDB em 1974.
Pois vem exatamente de Orestes Quércia a mais veemente defesa da candidatura de José Serra à presidência da República, em artigo publicado hoje na página 3 da Folha, com o título “Comparar Serra com Dilma é inevitável”.
Nas voltas que a política dá, Quércia agora é um dissidente do PMDB nacional, que deve fechar nos próximos dias a aliança com o PT, indicando para vice de Dilma o deputado federal Michel Temer, presidente do partido.
Para que o PMDB paulista apoiasse Gilberto Kassab, do DEM, o candidato do então governador José Serra nas últimas eleições municipais, Orestes Quércia fechou um acordo pelo qual garantiria uma vaga na disputa para o Senado na chapa demo-tucana em 2010.
Acordo cumprido, agora ele faz a sua parte no confronto nacional entre PT e PSDB, depois de uma longa temporada dedicada apenas à política da província.
“É curioso como, na ânsia de ganhar a eleição e manter o padrão de vida conquistado, dirigentes e parlamentares do PT parecem se esquecer de que sua candidata se chama Dilma Rousseff”, escreve Quércia, seguindo a palavra de ordem tucana de se evitar uma comparação entre os governos de FHC e Lula, como quer o atual presidente, jogando a disputa para uma comparação de biografias entre os candidatos.
Em termos de “manter o padrão de vida conquistado”, certamente Quércia fala com conhecimento de causa, pois poucos como ele subiram na vida, dedicando-se à política, tão célere e abastadamente como ele.
Ao defender a experiência acumulada por Serra em diversos cargos e mandatos, ao contrário de Dilma, que disputa sua primeira eleição, Quércia se esquece que FHC e Lula também não foram eleitos para postos executivos antes de assumirem a Presidência da República.
“Mas querer que sua primeira experiência como mandatária popular seja a Presidência da República é um desacato ao Brasil”, proclama, ao final do seu artigo, o empolgado novo aliado tucano.
Como assim? Desacato a quem, cara pálida?
Com apoios deste nível, a campanha de Serra pode logo, logo, ganhar mais problemas do que votos.
Em tempo: este Balaio foi indicado novamente para o premio Top Blog, na categoria política, que já ganhou no ano passado. Os leitores que quiserem participar encontram um selo do lado direito do blog para poder votar. Não se esqueçam de mim…
Em tempo 2: mais uma vitória da imprensa livre!, como diriam os jornalões.  Ao sair à rua na manhã desta terça-feira, não encontrei mais o buraco em frente ao meu prédio, tema do post de domingo anterior, 24/4, sobre a cidade abandonada. O buraco sobreviveu bravamente por quase 40 dias, apesar de ter ficado famoso numa foto publicada pela Vejinha. Agora só falta fechar todos os outros espalhados pela cidade.
Em tempo 3: só agora fui ver no ranking do Word Press que o post acima é o 500º publicado no Balaio, ou seja,  chegamos a 500 matérias jornalísticas em forma de comentários, notícias exclusivas, entrevistas e reportagens, desde setembro de 2008, que resultaram em 73.838 comentários dos leitores.  Nunca trabalhei tanto na minha vida, mas está valendo a pena. Vou acabar me viciando nisso por culpa de vocês… Valeu, balaieiros.
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